Resumo das colideranças do Diálogo de Campo sobre Restauração de Ecossistemas no Brasil é publicado
Seguindo a edição anterior realizada na Indonésia, conheça o documento-síntese do evento que reuniu cerca de 50 participantes nacionais e internacionais entre os dias 4 e 7 de maio de 2026.
Já está disponível o resumo das colideranças do Diálogo de Campo sobre Restauração de Ecossistemas, realizado no sul da Bahia entre os dias 4 e 7 de maio de 2026. O documento reúne os principais aprendizados, reflexões e encaminhamentos construídos ao longo dos quatro dias de evento, que reuniu 52 participantes nacionais e internacionais – incluindo representantes provenientes de sete países — para discutir o papel do setor privado na restauração de ecossistemas no Brasil.
Entre os participantes, estiveram representantes da academia, de instituições de pesquisa, do setor privado de base florestal, de comunidades locais, de povos indígenas, de organizações não governamentais (ONGs) ambientais e de organizações da sociedade civil voltadas à defesa dos direitos humanos.
O Diálogo de Campo foi organizado pelo Fórum Florestal da Bahia e pelo Diálogo Florestal, em associação com o The Forests Dialogue (TFD), e integra a Iniciativa de Restauração do TFD. Esta foi a segunda edição do gênero, depois do Diálogo de Campo realizado na Indonésia em 2024.
Co-chairs summary
Resumo das co-lideranças
Destaques do resumo
Ao longo do evento, as pessoas participantes visitaram quatro experiências concretas de restauração no território baiano, que ilustram diferentes caminhos possíveis para conciliar produção, conservação e inclusão social:
- No pré-assentamento Fábio Santos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), em Teixeira de Freitas, cerca de 96 famílias conduzem a restauração de mais de 200 hectares por meio do Projeto Corredor da Mata Atlântica, combinando regeneração natural assistida, plantio direto, enriquecimento e sistemas agroflorestais.
- Na Fazenda Alcoprado, área própria da Suzano, o grupo conheceu a restauração ecológica de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal integrada ao manejo de plantios de eucalipto, parte do compromisso da empresa de conectar 500 mil hectares de fragmentos prioritários até 2030.
- No Parque Nacional do Pau Brasil, em Porto Seguro, dois projetos financiados pela Priceless Planet Coalition, liderados pela Conservação Internacional com apoio da Mastercard, comparam metodologias de plantio total e de regeneração natural assistida com enriquecimento.
- Na Symbiosis, os participantes conheceram um modelo de silvicultura com espécies nativas em larga escala, que integra produção florestal, restauração da Mata Atlântica e geração de valor a partir de ativos naturais.
Na plenária final, os grupos de trabalho identificaram os principais desafios a serem enfrentados para avançar na restauração de ecossistemas no país: implementação e aplicação da lei; inclusão e engajamento de povos indígenas e demais partes interessadas; fragmentação de esforços e fluxo deficiente de informações; limitações financeiras; qualidade da restauração e monitoramento; e valorização da natureza. A partir desses desafios, as pessoas participantes trabalharam coletivamente em possíveis soluções, em uma dinâmica que buscou aproveitar a diversidade de olhares presentes no diálogo.
Próximos passos
O documento de base que fundamentou as discussões, elaborado por Daniel Piotto (UFSB) e colaboradores, também será finalizado e publicado em breve no site do The Forests Dialogue, incorporando contribuições das pessoas participantes do Diálogo de Campo. Na sequência, conforme a metodologia do TFD, será organizada uma oficina de finalização, com o objetivo de integrar as perspectivas construídas na etapa de campo e apontar caminhos concretos para a ação.
Próximos passos observados pelas colideranças
O resumo também traz um conjunto de encaminhamentos sugeridos pelas colideranças para dar continuidade aos avanços do diálogo:
- Capacidade institucional e políticas públicas: apresentar as conclusões ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a órgãos competentes, contribuindo para simplificar a regularização ambiental e reconhecer o valor dos serviços ecossistêmicos.
- Articulação nacional: compartilhar a síntese com o MMA e a CONAVEG, disseminando os resultados entre redes de restauração dos diferentes biomas e avaliar a pertinência de próximas etapas da iniciativa.
- Mobilização e coordenação de redes: fortalecer a integração entre redes como o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e a SOBRE, e incentivar o setor privado a compartilhar dados com o Observatório da Restauração para maior transparência.
- Desenvolvimento de conhecimento: ampliar a capacidade técnica local, publicar resultados de campo e sistematizar lições de experiências de restauração anteriores.
- Governança social e salvaguardas: revisar as salvaguardas sociais, criar protocolos de monitoramento de impactos e ampliar a participação de mulheres, jovens, povos indígenas e comunidades tradicionais, respeitando a decisão de organizações como o MST de permanecer fora de estruturas institucionais formais.
- Desenho adaptativo: assegurar consulta ampla e consentimento livre, prévio e informado no planejamento de corredores ecológicos, ajustando traçados quando necessário, e considerar os riscos de eventos climáticos extremos em todas as etapas dos projetos.
- Fluxos financeiros para implementadores: fortalecer mecanismos financeiros para o monitoramento de longo prazo e reduzir custos de transação, ampliando os recursos que chegam a quem implementa a restauração.
Registro do evento, realizado em maio, na região do sul da Bahia. Crédito: The Forests Dialogue.
Colideranças do Diálogo de Campo
Erica Munaro (Fórum Florestal da Bahia – Brasil), Marcus Colchester (Forest Peoples Programme – Reino Unido), Maurem Alves (Klabin S.A. – Brasil), Kerry Cesareo (WWF – Estados Unidos), Fernanda Rodrigues (Diálogo Florestal – Brasil) e Cecile Ndjebet (REFACOF – Camarões), com a participação de Gary Dunning, diretor do The Forests Dialogue.
Sobre o The Forests Dialogue
O The Forests Dialogue (TFD) foi criado em 2000 para oferecer aos líderes internacionais do setor florestal uma plataforma e um processo de diálogo multissetorial contínuo, voltado ao desenvolvimento de confiança mútua, entendimento compartilhado e soluções colaborativas para os desafios da gestão florestal sustentável e da conservação florestal em todo o mundo.
Sobre o Diálogo Florestal
O Diálogo Florestal é uma iniciativa pioneira e independente que, desde 2005, facilita a interação entre representantes de empresas, associações setoriais, organizações da sociedade civil, grupos comunitários, povos indígenas, associações de classe e instituições de ensino, pesquisa e extensão. Conta atualmente com 250 membros em sete Fóruns Florestais regionais.
Sobre o Fórum Florestal da Bahia
O Fórum Florestal da Bahia (FF BA), criado em 2005, é um espaço permanente de diálogo multissetorial voltado à construção de entendimentos entre o setor florestal e as comunidades no Sul e Extremo Sul da Bahia, engajado na conservação da Mata Atlântica, na restauração ecológica e na promoção de atividades sustentáveis na região.
Apoio
A realização do Diálogo de Campo foi apoiada financeiramente pelas seguintes instituições: Bracell, Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), Klabin, Suzano, Instituto Arapyaú e Symbiosis. Agradecemos também o apoio da Inovaland e do The Forests Dialogue.
Autoria: Cândida Schaedler
Revisão: Fernanda Rodrigues e Vitor Lauro Zanelatto
Foto de capa: The Forests Dialogue
